Com mais um ano letivo, chega também para muitos pais, o dilema da falta de motivação dos filhos perante o estudo…

Sem fórmulas mágicas, ao longo de pequenos textos sobre esta temática, convidamos à reflexão sobre algumas estratégias que os pais podem implementar no sentido de facilitar a vivência académica dos que, lá em casa, estão menos motivados para as tarefas escolares.

Pais felizes, filhos felizes

Sabemos que educar um filho é um grande desafio. Ora, quanto melhor se sentir e estiver consigo próprio, mais facilmente enfrenta os desafios. Por isso, caro pai:

slide1– Cuide de si! Da sua saúde e bem-estar, das suas emoções e relações.

Vai sentir-se melhor e vai estar mais disponível para compreender os seus filhos (até naqueles momentos em que eles o tiram do sério).

Olha para o que eu digo e… para o que eu faço

Sabemos que os miúdos aprendem com os exemplos que lhes damos e com o que, muitas vezes sem dar por isso, lhes vamos transmitindo.

Atrevemos-nos, assim, a perguntar: caro pai, está motivado para as suas tarefas? Ou queixa-se, frequentemente, diante dos miúdos, do que tem para fazer?

Já deu por si a fazer comentários (sobre familiares, conhecidos…) como “fartou-se de estudar para nada… para estar no desemprego?”, ao mesmo tempo que exige dos seus filhos que estudem e tirem boas notas? Se sim:

– Atenção à comunicação!slide2

Sobretudo para aqueles a quem a escola e as aprendizagens não dizem muito, esta contradição, o exigir só “porque sim” não faz sentido.

– Enquadre as aprendizagens escolares, tanto quanto possível, no quotidiano dos seus filhos. Diga-lhes claramente que, independentemente do percurso escolar que fizerem (ainda que deseje e que seja importante que tenham sucesso no mesmo), o que quer é que eles sejam felizes, competentes, capazes, autónomos!

Não dar o peixe mas ensinar a pescar

E a propósito de autonomia, sabemos que é fundamental no processo de desenvolvimento, pelo que é essencial que se promova desde muito cedo. Como?

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– Envolva, desde pequeninos, os seus filhos nas rotinas deles, assegurando e elogiando o seu papel ativo na realização de diferentes tarefas;

– Tenha em conta a perspetiva deles e deixe-os ir fazendo escolhas (um jovem habituado a tomar decisões será, seguramente, mais capaz de dizer “não” quando incitado por colegas para um comportamento menos desejável);

– Responsabilize-os e ensine-os a lidar com as consequências das suas ações.

No estudo, a autonomia é também um processo crescente que depende (entre outros fatores) das oportunidades que as crianças/os adolescentes têm para a ir desenvolvendo ao longo da escolaridade.

Os trabalhos de casa, por exemplo, são uma tarefa dos filhos e não dos pais! O apoio que necessitam quando entram para a escola deve, pouco a pouco, dar lugar à supervisão. E, posteriormente, este apoio mais ativo dos pais deve ser substituído por uma atitude de valorização/reforço pelo que os filhos são capazes de fazer sozinhos. Mantendo, claro, ao longo de toda a escolaridade, o mesmo interesse e disponibilidade para ajudar, esclarecer, apoiar… Lembre-se que a possibilidade dos seus filhos  errarem, de lidarem com a frustração por nem sempre conseguirem “à primeira” constituirá uma excelente oportunidade de aprendizagem e crescimento pessoal.

Resumindo, caro pai, convidamos-lo a experimentar…

– um pequeno gesto diário que promova o seu bem-estar pessoal;

– prestar atenção à forma como está a comunicar com os seus filhos e a eventuais contradições ao nível da sua comunicação que lhe possam estar “a escapar”;

– usar a sua motivação pessoal como um incentivo para eles, mesmo em tarefas que nem sempre são do seu agrado;

– promover a sua autonomia, dia após dia, deixando-os serem eles a fazerem o que lhes compete e potenciando a sua capacidade para resolver problemas.

Irá, com o tempo, surpreender-se com os benefícios que estas pequenas mudanças de atitude trarão a todos!

Já agora…

Os seus filhos acreditam nas suas capacidades ou sabem que, por muito que se esforcem, não vão corresponder às expectativas?

Sabe do que é que os seus filhos são capazes?

Na nossa próxima publicação, vamos refletir em torno destas questões e apresentar-lhe mais algumas dicas.

 

Até breve!

Andreia Costa