Caro pai, como prometido voltamos com mais uma publicação em que refletiremos sobre algumas estratégias para ajudar os seus filhos a estarem mais motivados para o estudo.

Esperamos que tenha experimentado algumas das sugestões que lhe apresentámos anteriormente e que, com o tempo, essas pequenas mudanças tragam bons resultados (ao seu bem-estar e à relação com o seu filho).

Vamos tentar agora compreender o que pode estar por detrás da desmotivação face ao estudo e apontar-lhe estratégias para ajudar os seus filhos nesta “matéria”.

Quebrando o ciclo da desmotivação: o poder da aceitação, do reconhecimento e do elogio

Sabemos que, muitas vezes, alunos desmotivados são crianças e jovens que não acreditam nas suas capacidades. E quando, repetidas vezes, apesar do esforço, não conseguem obter os resultados esperados, entram num processo de desmotivação: “Esforçar-me para quê se já sei que não vou conseguir?”

Ora, desistindo de aprender, de investir, não se confrontam mais com uma questão que afeta negativamente a sua autoestima e autoconfiança: o não corresponder às expectativas (dos pais, dos professores e até deles próprios).

Enquanto pai, pode quebrar este ciclo e assumir aqui um papel fundamental, sendo um “espelho” para os seus filhos. Basta que:

– Identifique nos seus filhos as capacidades que eles realmente têm: diga-lhes exatamente o que de positivo reconhece neles, para que eles também aprendam a fazê-lo.

E mais importante do que focar-se em atributos do tipo “és bonito/inteligente/criativo…” sobre os quais não temos grande controlo, é  valorizar a atitude, o esforço e o empenho que os seus filhos colocam no que fazem.

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Para além disso…

– Evite fazer comparações entre o desempenho dos seus filhos e o de colegas, irmãos ou primos (muitas vezes tão diferentes nas suas capacidades, interesses e postura em relação à escola);

Os miúdos não precisam de ser sempre os melhores para serem bons. E acredite que é extremamente importante para eles fazermos-lhes sentir que são bons em alguma coisa.

– Aceite que podem existir áreas nas quais os seus filhos não são tão bons, para as quais não têm tanta aptidão e ajuste as suas expectativas relativamente ao seu desempenho escolar;

Fazer este “trabalho” implica naturalmente que conheça os seus filhos, que lhes preste atenção, que os escute e que fomente o diálogo e a partilha entre vocês… enfim, implica investir na vossa relação.

Relativamente a outras características ou atitudes que gostava que os seus filhos tivessem, pode sempre pensar de que forma é que, com o seu exemplo e na relação com eles, os pode influenciar e ajudá-los a adquiri-las.

– Quebre o hábito de apenas criticar e repreender os seus filhos por tudo o que fazem de errado. Elogie-os mais por tudo o que fazem bem.

Mas atenção! O elogio deve ser feito “sem mas nem porquês”! Dizer “melhoraste a nota a Matemática, mas ainda podes fazer melhor” ou “fizeste os TPC muito bem, porque é que não os fazes sempre assim?” é dar-lhes um verdadeiro presente envenenado: a crítica que se segue ao elogio anula-o e é a crítica que, na realidade, lhes “fica no ouvido”;

 – Ensine aos seus filhos (mostrando-lhes com os pequenos e grandes gestos do dia-a-dia) que eles têm valor simplesmente pelo que são! E não apenas pelo que conseguem ou não conseguem, nomeadamente nos testes…

E nesta questão, caro pai, permita-nos fazer um parênteses… Muitos meninos e meninas que acompanhamos em consulta (sobretudo os adolescentes) dizem-nos muitas vezes “Eu gostava que os meus pais percebessem que a minha vida não é só escola!”

Acredite que com estas estratégias irá promover significativamente a autoestima dos seus filhos, o sentirem-se bem com eles próprios, a aceitarem-se tal como são. Estes são aspetos que sabemos ser fundamentais para que eles possam desenvolver competências em diversos domínios, nomeadamente o escolar, de forma saudável.

Resumindo, caro pai, convidamo-lo a experimentar…

– estar atento aos talentos, capacidades e qualidades dos seus filhos e dizer-lhes que os reconhece neles (sem comparações com quem quer que seja…);

– promover o conhecimento mútuo entre si e os seus filhos. Porque não escolher um dia para jogarem, em família, à “verdade ou consequência” com perguntas sobre as vossas características pessoais?

– tecer-lhes um elogio por dia. Não um elogio vazio de conteúdo como “boa!” ou “fixe!”, mas que expresse exatamente o que quer valorizar, sem mas nem porquês (por exemplo: “Hoje conseguiste deixar tudo arrumado. Obrigado!”).

E se, por esta altura, se está a perguntar “então e as regras e os limites onde ficam”? Aguarde pela nossa próxima publicação, pois é precisamente essa questão que iremos abordar.

Até lá, se quiser colocar alguma dúvida ou questão contacte-nos através do email espacopsicologicocoimbra@gmail.com. Teremos todo o gosto em ajudar!

Até breve!

Andreia Costa