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Procura (dentro de ti) o teu lugar tranquilo é o nome que escolhemos para o Programa de Mindfulness para Crianças que iremos realizar, no âmbito da nossa atividade no Consultório Espaço Psicológico, já no início do próximo ano. Baseia-se no Programa de Mindfulness para ensinar Crianças e Adolescentes a lidar com o stresse e emoções difíceis A Still Quiet Place, de Amy Saltzman e será constituído por 8 sessões, que se realizarão entre fevereiro e abril de 2018. Realizaremos, também, já no próximo dia 14 de janeiro, um workshop de introdução ao programa, destinado a pais e filhos com idades entre os 6 e os 10 anos, no qual terão oportunidade de experienciar um conjunto de práticas mindfulness e, também, de compreender a natureza do programa (consulte todas as informações aqui).

 

E afinal o que é o mindfulness?

Segundo Amy Saltzman (2014), mindfulness é prestarmos atenção ao “aqui e agora”, com gentileza e curiosidade, ajudando-nos a escolher, de uma forma mais consciente, o nosso comportamento.

É, pois, estarmos na experiência de cada momento presente, de forma plena e consciente, sem ruminarmos acerca do passado ou fantasiarmos acerca do futuro. Observando o que acontece dentro e fora de nós (os nossos pensamentos, emoções…; as pessoas, os acontecimentos…) como se fosse a primeira vez, sem as histórias que já temos construídas acerca de nós e do que nos rodeia. Fazê-lo com gentileza implica fazê-lo com paciência, permitindo que a autocrítica dê lugar a uma atitude compassiva connosco e, posteriormente, com os outros (Kabat-Zinn, 2013; Saltzman, 2014).

Quando prestamos atenção desta forma, descobrimos que tudo muda, dentro e fora de nós, momento a momento. E conseguimos (tantas mais vezes quanto mais praticarmos) reunir a informação que necessitamos para responder de forma sensata e gentil a nós próprios e às outras pessoas. Escolhendo, portanto, de forma consciente, o nosso comportamento, em vez de sermos levados pelos nossos impulsos e a reagir no imediato (Kabat-Zinn, 2013; Saltzman, 2014).

Quais são os benefícios do mindfulness?

Melhora a nossa capacidade de atenção

Ora, se mindfulness é prestar atenção (de uma forma tão particular e especial), então, ao praticarmos mindfulness estamos a trabalhar (também) a nossa capacidade de atenção. É pois, uma ferramenta útil, especialmente para as crianças, a quem pais, professores e educadores pedem, muitas vezes, para estarem atentas. Na maioria das vezes, contudo, sem lhes explicarem o que fazer e como fazer para conseguirem tal proeza.

Ajuda a regular melhor as nossas emoções

Para além disso, nos dias que correm, a um ritmo muito acelerado, passamos demasiado tempo dentro da na nossa cabeça, muitas vezes sem termos total consciência do que ela nos vai “dizendo”. Isso pode levar-nos a ficar fusionados com os pensamentos e com as emoções e sensações corporais que eles provocam, o que pode gerar bastante sofrimento. Por este motivo, rotulamos estas emoções e sensações como negativas e tentamos, muitas vezes, suprimi-las para fugirmos ao desconforto que nos causam. E nessa tentativa de suprimir e afastar o desconforto (e porque não estamos conscientes) podemos adiar tarefas, agir por impulso (e.g. comer demais, adiar terminar um trabalho, dizer coisas que não queremos…). Através do mindfulness, conseguimos observar o que está a acontecer “aqui e agora” – estamos conscientes dos nossos pensamentos, emoções e sensações, sem nos confundirmos/fusionarmos com eles. Deixamos de “ser” os nossos pensamentos, para sermos quem os está a observar, o que permite escolhas mais conscientes, tomadas de uma forma gentil (connosco próprios) e mais sensata. Aprendemos, também, a relacionar-nos com as emoções de uma maneira diferente (sobretudo as que vemos como desagradáveis, como a tristeza, a irritação…). Apesar de, tantas vezes, causarem dor (tal como os pensamentos), podemos aprender a observá-las, aceitá-las, “estar com” elas e “ouvir” os seus ensinamentos, ou seja, ouvir o que elas nos dizem acerca do estamos a precisar, momento a momento. A aceitação e o “escutar” das emoções de uma forma gentil, sem as querer mudar, ajuda-nos, com o tempo, a reduzir comportamentos que não queremos ter (como os agressivos e impulsivos).

Facilita a aprendizagem

Sabemos que a regulação emocional tem um papel muito importante na capacidade de aprendermos. Sabemos que uma criança que aceita e gere bem as suas emoções consegue melhores resultados na escola do que outra com as mesmas capacidades intelectuais, mas menos hábil do ponto de vista emocional (Jennings, 2015). O mindfulness tem, pois, aqui um papel muito importante. Resumindo, nas palavras de John Kabat-Zinn (2013) “Tudo o que sabemos é que as nossas crianças precisam de saber como prestar atenção, como focar e concentrar, como ouvir e como aprender, e como entrar num relacionamento sábio consigo próprias – incluindo com os seus próprios pensamentos e emoções – e com os outros (…) estas aptidões são o coração do mindfulness”.

Assim, alguns estudos recentes mostram que o mindfulness, para além de diminuir a intensidade das emoções desagradáveis (como a ansiedade a testes e a tristeza) e, como vimos, melhorar a capacidade de atenção, ajuda a obter outros resultados muito positivos: melhoria do ambiente em sala de aula, melhoria das competências de interação e ligação social (com os colegas), melhoria da aprendizagem (por via de uma melhor regulação emocional, diminuição dos comportamentos de hiperatividade e pela melhoria de funções cognitivas, como a memória e a atenção e a capacidade de resolução de problemas).

 

Porque é que é importante praticar?

Falando na importância da prática do mindfulness, é mesmo muito importante praticar. Recorrendo, eventualmente, a um programa estruturado com várias sessões, (oferecendo-se, assim, suporte à prática e beneficiando do modelo grupal) e mantendo, logo durante o programa, e idealmente, ao longo da vida, uma prática regular (em casa, individualmente; em grupos…). Tal como quando aprendemos um instrumento musical, quanto mais praticamos, mais treinamos competências e o mindfulness é uma competência, um “músculo” que importa treinar para a vida. Para além disso, o mindfulness precisa de ser vivido, sentido, sendo, sobretudo, experiencial. Daí a importância da prática. O facto dos adultos manterem a sua prática “viva” pode ajudar as crianças a fazerem-no também. Não faz muito sentido exigir aos miúdos que estejam mindful quando à sua volta, os adultos vivem e se comportam “sem consciência”, em piloto automático.

 

Como praticar mindfulness?

A meditação mindfulness não envolve apenas práticas ditas “formais”, em que nos sentamos ou deitamos a meditar. O maravilhoso do mindfulness é que pode ser praticado no dia-a-dia (o que costuma ser chamado de práticas “informais”), como por exemplo ao escovar os dentes, tomar banho, conversar, ler ou almoçar com amigos, visto ser, mais que tudo, uma forma de vida.

 

O programa Procura (dentro de ti) o teu lugar tranquilo

O nosso programa contempla um conjunto de práticas diversificadas que abarcam as diferentes formas de praticar:

  • Comer mindful;
  • Meditação focada na respiração;
  • Body scan/rastreio corporal (meditação focada no corpo);
  • Meditação a caminhar;
  • Meditação através de movimentos;
  • Meditação focada na respiração, corpo, pensamentos, emoções, sons.

Para se inscrever no nosso Workshop de introdução ao mindfulness para pais (educadores, de um modo geral) de crianças entre os 6 e os 10 anos e/ou inscrever o(s) seu(s) filho(s) no nosso Programa de 8 sessões, basta contactar-nos através dos contactos que disponibilizamos: oteulugartranquilo@gmail.com | 912337419 (Andreia Costa) | 917102303 (Mariana Marques).

Contamos consigo!

 

Bibliografia:

– Saltzman, A. (2014). A Still Quiet Place: A Mindfulness Program for Teaching Cgildren and Adolescents to Ease Stress and Difficult Emotions. Oakland: New Harbinger Publications, Inc.

– Kabat-Zinn, J. (2013). Full Catastrophe Living: How to Cope with Stress, Pain and Ilness Using Mindfulness Meditation. New York: Bantam Books.

– Jennings, P.A. (2015). Mindfulness for Teachers: Simple Skills for Peace and Productivity in the Classroom. New York: W.W. Norton & Company, Inc.