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Exercer uma profissão, para além de um meio de subsistência, constitui uma forma de realização pessoal. Mas num momento marcado por grandes e imprevisíveis mudanças no mercado de trabalho, e no qual a oferta formativa é cada vez maior e mais diversificada, muitas são as questões com que os jovens se deparam aquando da tomada de decisões relativas ao seu percurso escolar e profissional.

Qual a opção que devo seguir? Será melhor optar por um curso profissional? Quais as áreas com mais saída? Os cursos que mais gosto não têm saída profissional, e agora? Os meus pais gostavam que escolhesse uma profissão para a qual não tenho jeito nenhum, o que faço? Um turbilhão de dúvidas que, à partida, não deve ser encarado como um problema, pois a indecisão conduz muitas vezes os jovens à procura de informação e ao esclarecimento dos diferentes percursos formativos e profissionais que têm ao seu dispor.

A orientação vocacional assume, neste contexto, e na vida dos jovens (que frequentemente apelam a estes serviços), um papel muito importante, auxiliando-os a pensar sobre o seu futuro e a desenvolver competências que lhes permitam ir tomando decisões vocacionais fundamentadas e realistas.

Os jovens envolvem-se num significativo processo de autoconhecimento (características pessoais, interesses, valores e capacidades), de exploração e aquisição de informações sobre os cursos técnicos e/ou universitários, as diferentes profissões, o mundo laboral e a própria realidade social. Também os testes vocacionais, ao serem integrados na prática de orientação, constituem uma ferramenta auxiliar importante em todo este processo. Por fim, a integração de todas as diferentes informações servirá como ponto de partida à realização de uma escolha académica ou profissional potencialmente bem sucedida.

Atualmente, mais do que levar os jovens a refletir em torno de “qual a opção a seguir”, importa que percebam quais as ferramentas e competências de que necessitam para construírem a sua carreira. O mercado de trabalho pode, em qualquer momento, exigir adaptações e desafios para os quais é bom estarem preparados.

Seguir um determinado curso deverá, hoje, ser encarado como (mais) um alicerce na construção da carreira, pois nem sempre assegura o exercício das atividades profissionais que lhe correspondem. Abraçar projetos ocupacionais em áreas diferentes às da sua formação, mas pelas quais os jovens se sintam motivados e interessados e para as quais tenham competências, não deverá necessariamente ser encarado como um fracasso, mas sim como um desafio.

É importante termos presente que, cada vez mais, uma escolha vocacional não se resume a um único momento. Trata-se, sim, de um processo contínuo de reajustes que nos acompanha ao longo da nossa vida ativa.

Andreia Costa