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Voltamos a convidá-lo a pôr em prática algumas estratégias para fortalecer a sua relação com os seus filhos e ser cada vez mais capaz de os ajudar a estarem motivados para as tarefas da escola.

E desta vez propomos-lhe algumas estratégias para lidar com os comportamentos inadequados dos seus filhos, como aqueles momentos em que eles quebram regras e ultrapassam limites…

Dando o exemplo…

As regras e os limites estão naturalmente presentes no quotidiano de qualquer família. E é no seio dessas regras e limites, essenciais para a regulação da sua saúde mental, que as crianças crescem e se desenvolvem. Convém que sejam, portanto, regras claras, bem definidas, para serem cumpridas por todos. E, caro pai, mais uma vez o seu exemplo enquanto adulto é fundamental (numa das nossas publicações anteriores já debatemos esta questão, sobre a qual pode ler aqui): se, por exemplo, a regra é não haver distrações como telemóveis ou tablets durante as refeições, então essa regra também se aplica a si e não deve atender chamadas quando o seu telemóvel toca! Se tiver de, excecionalmente, quebrar essa regra, então basta que explique aos seus filhos o caráter dessa exceção.

Mas se, lá em casa, os gritos, as ameaças, as repreensões e/ou os castigos (relacionados ou não com a escola) são uma constante, é seguramente tempo de parar e refletir. Até porque é frequente ouvirmos muitos pais que nos procuram, depois de terem tentado de tudo para corrigir um determinado comportamento, dizerem que parece que já nada, nem os castigos, funcionam.

Quando o tiram do sério…

1- Procure partilhar com os seus filhos, de forma sincera, como se sente em relação ao que está a acontecer (à situação, ao conflito…) e peça-lhes para se comportarem de outro modo (descrevendo-lhes de forma clara como se devem comportar). Hoje estou particularmente cansado(a) e aborrecido(a), não me apetece que tenhas a música tão alta. Podes pôr mais baixo por favor?

2- Procure não criticar, não generalizar e muito menos usar palavras ofensivas. Fazê-lo só serve para que os seus filhos se sintam culpados, humilhados e revoltados. Todos cometemos erros. Se fosse consigo, como é que gostaria que lhe falassem? Responder a esta questão pode ser uma boa ajuda na hora de falar com os seus filhos sobre o que eles fizeram de errado.

3- Não julgue o que os seus filhos são pelo que fizeram naquele momento. Diga algo como vejo que me mentiste quanto a teres feito os TPCs em vez de és mesmo um mentiroso. Mostre-lhes que pode não ter gostado da atitude que tiveram, mas que o seu amor por eles não está em causa. Às vezes, com os mais pequeninos, ainda ouvimos muito se … (não arrumas os brinquedos/não te portas bem…) não gosto de ti, transmitindo-lhes sem querer, a ideia de que deixam de ser amados por nós se não se comportam como queremos.

4- Não recorra à ameaça quando quer que os seus filhos façam o que lhes pede. Às vezes, conseguimos que os miúdos façam o que queremos ameaçando-os (prometendo-lhes castigos, perda de privilégios…) porque eles agem para evitar serem punidos. A punição aparenta ser eficaz no imediato, mas na verdade eles não estão a colaborar connosco, nem a perceber porque se devem comportar de outra forma. E o mais provável é que voltem, num futuro próximo, a fazer o mesmo. Por outro lado, ao utilizar a ameaça e a chantagem com os seus filhos, está a ensinar-lhes que podemos conseguir levar os outros a fazerem o que queremos através do poder que exercemos sobre eles. E, se pensar bem, talvez não seja isto que, no exercício da sua parentalidade, quer transmitir aos seus filhos.

5- Esteja atento à sua própria postura quando comunica com os seus filhos. Eles aprendem, desde muito cedo, a interpretar o que diz e a forma como o faz. E, caro pai, quando não está alinhado (no tom, na postura, na intenção…) com o que comunica, os seus filhos sentem a sua incongruência: e ou ficam confusos e sem saber o que fazer ou simplesmente não obedecem. Dizer-lhes pela décima vez num mesmo dia, de forma pouco convincente, que se não arrumarem a mochila ficam de castigo (sem explicar concretamente o que significa ficar de castigo) é um exemplo dessa incongruência. Mas a probabilidade de conseguir o que quer é bem maior se parar e disser com firmeza e olhos nos olhos algo como Percebo que queiras muito ver esse programa, mas eu preciso que vás agora arrumar a tua mochila. Podes ir arrumá-la por favor? Depois continuas a ver televisão… E, se fizeram o que lhes pediu, não se esqueça de dizer obrigado!

6- Procure sempre compreender as intenções e as necessidades por detrás dos comportamentos dos seus filhos. Pergunte a si próprio O que querem verdadeiramente expressar com esta atitude? O que estão a pensar e a sentir para reagirem assim? Repare como será mais fácil ajudá-los, reponder-lhes de forma a ir ao encontro das necessidades deles, bem como levá-los a colaborar consigo. Por exemplo, se os seus filhos não estudam ou só o fazem quando os obriga (muitas vezes recorrendo a estratégias que já vimos não serem muito eficazes) pergunte-se o que estará por detrás de tal desmotivação (e se este exemplo se aplica à realidade de algum dos seus filhos pode ler o que escrevemos a este respeito nesta nossa publicação).

7- Aponte-lhes possíveis comportamentos alternativos ao que eles tiveram, para que saibam como agir numa próxima vez. Só assim se aprende, certo? Compreendo que ter um colega que está sempre a tirar-te a borracha te deixe irritado. Mas em vez de lhe bateres podes pedir-lha de volta ou pedir ajuda ao professor para lidar com a situação.

8- E, se em alguns momentos não conseguir “não explodir” ou estiver demasiado zangado, permita-se tirar um tempo para si próprio, para se acalmar e refletir… e converse sobre o assunto mais tarde!

 

Resumindo…

Caro pai, ao mesmo tempo que reflete sobre como lida com os seus filhos quando eles o tiram do sério, permita-se experimentar, no futuro , de acordo com o que lhe fizer sentido e se aplicar mais à sua realidade e à dos seus filhos, as estratégias que lhe sugerimos. Comportamento gera comportamento e, ao agir de forma diferente, conseguirá certamente comportamentos diferentes por parte dos seus filhos.

 

E se tivesse de lidar cada vez menos com comportamentos inadequados porque os seus filhos se portam cada vez melhor? Dizemos-lhe como é que isso pode ser possível na próxima publicação.

Até breve!

Andreia Costa